Economia
FGV projeta crescimento de 0,3% do PIB no segundo trimestre, com desaceleração econômica

A economia brasileira recuou 1,1% na passagem de maio para junho, conforme indicado nesta segunda-feira (17) pelo Monitor do PIB, uma das principais prévias da economia brasileira, produzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Apesar da queda em junho, o segundo trimestre apresentou crescimento de 0,3%, impulsionado pelo consumo. Com esse resultado, o desempenho positivo no acumulado de 12 meses é de 1,8%.
O estudo mensal é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, que realiza estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa o total de bens e serviços produzidos no país, com base em dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária.
O dado oficial é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desaceleração
- Renegociação de dívidas de adimplentes é prorrogada até 26 de outubro
- Déficit nas contas externas soma US$ 5,1 bilhões em agosto
- Mercado ajusta projeção de inflação para 4,99% e revisa estimativa de PIB para baixo
- Beneficiários com NIS de final 8 recebem Bolsa Família de setembro
- Fazenda mantém subsídio de R$ 2,12 ao óleo diesel
A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, aponta que o levantamento revela uma desaceleração da atividade econômica.
No primeiro trimestre de 2026, o crescimento em relação ao trimestre anterior havia sido de 1%. Trece destaca que a desaceleração foi percebida nas três grandes atividades econômicas pesquisadas: agropecuária, indústria e serviços. Ela acrescenta que apenas o consumo não desacelerou no trimestre, mantendo o ritmo de crescimento do início do ano.
“Essa manutenção do crescimento do consumo deveu-se, principalmente, ao bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis”, afirma.
Apesar da perda de força no crescimento trimestre a trimestre, a economista ressalta que o resultado do período de abril a junho foi o 20º resultado positivo consecutivo.
“Isso demonstra que, embora a taxa possa ser baixa, a economia segue com resultados positivos em meio ao contexto externo e interno, que tem se mostrado desafiador”.
Contexto econômico
Entre os fatores que agravam o cenário macroeconômico, ela cita a elevação do preço do barril do petróleo, causada pela guerra no Oriente Médio, os juros em patamares elevados no Brasil e o alto endividamento da população.
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, deixando-a em 14% ao ano.
O patamar elevado da taxa de juros é uma ferramenta do BC para tentar controlar a inflação, uma vez que a Selic alta encarece o crédito e desestimula o consumo e os investimentos produtivos.
Componentes
O Monitor do PIB indica que, no segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 2,6% em relação aos primeiros três meses de 2026. As exportações aumentaram 4,5%, enquanto as importações subiram 5,7%.
Os dados são dessazonalizados, ou seja, foram excluídas variações sazonais, permitindo a comparação entre períodos imediatamente consecutivos.
O estudo estima que a taxa de investimento da economia em maio foi de 18,5% (no primeiro trimestre estava em 18,6%).
De acordo com a FGV, em valores correntes, o PIB acumulado no primeiro semestre é estimado em R$ 6,557 trilhões.
Resultado oficial
O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da economia brasileira. Outro levantamento, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado também nesta segunda-feira (17), indicou recuo de 0,6% em junho na comparação com maio.
O BC projeta uma expansão de 0,2% na passagem do primeiro para o segundo trimestre e uma alta de 1,5% em 12 meses.
O resultado oficial do PIB do segundo trimestre será apresentado pelo IBGE no dia 1º de setembro.
A última divulgação oficial ocorreu no final de maio, apontando crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026.
Expectativas
O relatório Focus desta segunda-feira, uma sondagem do Banco Central (BC) com instituições do mercado financeiro, estima que a economia brasileira terminará 2026 com uma alta de 1,98%. A previsão do Ministério da Fazenda é de uma variação de 2,3%.
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