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Doença inflamatória intestinal registra aumento de cinco vezes no Brasil em 13 anos

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Doença inflamatória intestinal registra aumento de cinco vezes no Brasil em 13 anos

O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais (DII) cresceu cinco vezes no Brasil entre 2012 e 2025. A incidência dessas enfermidades – como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa – passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no período.

O dado é de um estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, que ocorre até este sábado (26), em Balneário Camboriú (SC).

O levantamento foi realizado por dois membros da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP): Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Eles trabalharam em parceria com pesquisadores das universidades de Calgary (Canadá), de São Paulo (USP), estadual de Campinas (Unicamp), entre outras.

Com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS), os pesquisadores constataram que o número de novos casos diagnosticados por ano aumentou de 9,35 para 12,34 no mesmo período.

Entenda

As doenças inflamatórias intestinais são enfermidades autoimunes, ou seja, surgem quando o sistema imunológico começa a atacar as próprias células e tecidos do organismo, resultando em um processo crônico de inflamação.

Segundo Abel Quaresma, tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa são multifatoriais, o que significa que não há apenas uma causa, mas sim várias.

Pesquisas anteriores identificaram um fator genético associado. No entanto, nem todos os pacientes acometidos por essas enfermidades possuem as variações genéticas que estudos associam ao desenvolvimento das DII. O fator ambiental também está relacionado ao desenvolvimento dessas condições.

“A gente não sabe o fator causal ainda. A gente sabe que são doenças multifatoriais. Tem a genética, a poluição, os hábitos alimentares. Nossa dieta mudou muito nos últimos anos.”

O pesquisador destaca que alimentos ultraprocessados contêm inúmeros aditivos que podem contribuir para essas doenças inflamatórias.

“Vinte anos atrás, você comprava um pão na padaria e, quatro ou cinco dias depois, ele mofava. Hoje em dia compra-se um pão de forma, ele fica três meses pronto para ser usado.”

De acordo com ele, os conservantes, corantes e espessantes – substâncias que tornam o alimento mais barato, aumentam o volume, a cor, o cheiro e conservam – podem induzir essas doenças.

A expectativa dos pesquisadores é que o surgimento de novos casos chegue a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035. Caso isso se confirme, a previsão é que, em 2035, a quantidade de pessoas com essas doenças possa chegar a 264 por 100 mil habitantes, ou seja, 67% a mais do que o observado em 2025.

“São doenças que até por volta de 2015 eram consideradas doenças raras. E que estão tendo um boom em todo o mundo, inclusive no Brasil. A gente projeta que, a partir de 2040, vai se tornar problema de saúde pública, como é a pressão alta, o diabetes.”

O especialista explica que essas doenças não têm cura, e o tratamento visa controlar o processo inflamatório e os sintomas. O custo desses medicamentos pode chegar a R$ 500 mil por ano, por paciente.

“São pacientes que, muitas vezes, são diagnosticados ainda jovens e que precisarão de acompanhamento por décadas.”

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