Saúde
Estudo revela esgotamento emocional e burnout entre médicos de UTI
Quase metade (48,5%) dos médicos que atuam em unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil apresenta um nível elevado de esgotamento mental e emocional. Além disso, 46,4% desses profissionais relatam baixo grau de satisfação com suas atividades.
Os dados são parte do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O estudo ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal.
A Amib avaliou que os achados sugerem um quadro de grande vulnerabilidade dos médicos intensivistas à síndrome de burnout, caracterizada por exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal. Para a entidade, a saúde mental dos profissionais deve ser tratada como uma questão prioritária para políticas públicas, exigindo mobilização de gestores, instituições e autoridades de saúde.
Em coletiva de imprensa, o diretor de Comunicação do CFM, Estevam Rivello, destacou os diferentes impactos da pressão sobre médicos intensivistas nos sistemas público e privado. “No sistema suplementar, o profissional tem uma estrutura, um arsenal terapêutico que ele pode implementar na assistência ao doente grave com maior facilidade do que quando comparado ao serviço público”, afirmou.
“No nível público, com absoluta convicção, registra-se maior estresse, porque lida com um profissional que não tem a mesma remuneração do serviço suplementar e que tem mais vínculo empregatício em relação ao serviço suplementar”, complementou Rivello.
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Esgotamento
Os números indicam que quatro em cada cinco (79,7%) médicos que atuam em UTIs requerem atenção e cuidado com a saúde emocional. Enquanto 31,2% indicaram esgotamento moderado, 48,5% sinalizaram alto nível de desgaste. Do total de entrevistados, apenas 20,3% relataram baixos níveis de esgotamento emocional.
Na avaliação da Amib, o quadro pode ser atribuído à carga horária elevada, à exposição constante a situações críticas, incluindo a precariedade da infraestrutura, e à crescente demanda da população por cuidados diante de uma rede de cobertura limitada. Também são considerados fatores potenciais para esse cenário o confronto diário com situações limite (dor, sofrimento e morte) e a exigência de tomadas de decisões ágeis e precisas.
A baixa satisfação com a atividade desempenhada, apontada por 46,4% dos entrevistados, segue o mesmo patamar proporcional daqueles que indicaram altos níveis de esgotamento mental. Quando incluídos os que têm grau moderado de satisfação, 84,5% da força de trabalho médica demonstra não estar totalmente satisfeita com o exercício da medicina nas UTIs.
Despersonalização
O estudo também revelou que 45,6% dos intensivistas afirmam ter algum grau de despersonalização, caracterizada pelo distanciamento emocional e pela adoção de atitudes frias, apáticas ou cínicas em relação a pacientes e colegas de trabalho. “Esse comportamento prejudicial ao ambiente assistencial compromete a qualidade do atendimento, afeta a dinâmica de comunicação nas equipes e se contrapõe à humanização do cuidado. Enquanto 29,6% dos médicos responderam por um nível moderado de despersonalização, 16% reportaram níveis elevados dessa percepção”, destacou a Amib.
Os dados mostram ainda que, quanto maior o grau de especialização do médico que trabalha no ambiente intensivo, menor o nível de esgotamento mental, menor a referência a comportamentos de distanciamento afetivo e maior o grau de realização pessoal com o exercício da profissão. Por outro lado, quanto menos especializado o médico, maiores os níveis de esgotamento, de distanciamento e menor a satisfação com o próprio desempenho.
Entre médicos intensivistas, 44,5% relataram alto nível de esgotamento emocional, 12,7% alto grau de despersonalização e 39,8% baixo nível de satisfação com o próprio desempenho. Em contraste, entre os médicos generalistas que trabalham nas UTIs, os percentuais foram 52,3%, 20,1% e 50,7%, respectivamente.
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