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UFRJ concede diplomas póstumos em homenagem às vítimas da ditadura

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UFRJ concede diplomas póstumos em homenagem às vítimas da ditadura

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Há 53 anos, o estudante de economia Fernando Augusto da Fonseca foi levado para uma dependência do Exército no Recife. Enquanto era torturado por 20 dias, a mulher grávida e o filho de 3 anos ficaram presos em um hotel. A família foi liberada após o assassinato de Fernando e a entrega do corpo.

A viagem para o Nordeste ocorreu para escapar da repressão da ditadura militar. Devido à sua militância estudantil, Fernando foi expulso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo que abandonar o emprego e a vida na capital carioca.

Nesta quinta-feira (9), ele foi um dos 23 estudantes homenageados com um diploma de conclusão de graduação pela UFRJ. Outros dois professores da instituição, também vítimas da ditadura, foram lembrados.

O filho de Fernando, o administrador André Luiz Araújo da Fonseca, de 56 anos, recebeu o diploma em nome do pai e afirmou que o documento simboliza a realização de um sonho interrompido pelo autoritarismo.

“Essa identidade como estudante de Economia era muito forte para ele. O diploma encerra um ciclo, é como se ele estivesse atingindo aquele objetivo lá do passado. De todas as homenagens que ele já tinha recebido, essa para mim é a que tem mais peso”, disse.

“Vou botar o diploma dele junto com o meu na parede”, complementou André, que se orgulha por ser hoje professor da mesma UFRJ.

Memória e resistência

Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, destacou que a entrega dos diplomas representa um compromisso com a memória, a verdade e a justiça.

“O amanhã depende da nossa coragem de lembrar, da nossa disposição de lutar pelo que acreditamos e, sobretudo, da nossa determinação de defender a democracia todos os dias, para que ninguém se esqueça do que aconteceu”, disse Medronho.

O jornalista Franklin Martins, que era presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ em 1968, ressaltou o papel do movimento estudantil, dos jovens e dos professores na linha de frente da resistência contra a repressão estatal.

Isso significou, segundo ele, a recusa em aceitar a submissão, mesmo diante de ataques de cavalaria, invasões a universidades, tiros e agressões.

Franklin Martins afirmou que a recuperação dessa memória serve de exemplo para a melhoria das lutas sociais atuais.

“Eu espero que outras universidades façam a mesma coisa. Para que a memória fique, para que eles sejam lembrados e semeiem a luta pela democracia pelo país”, disse.

A atual coordenadora-geral do DCE Mário Prata da UFRJ, Malu Cerqueira, comentou que a diplomação tem um significado duplo: reparação às famílias dos desaparecidos e uma tomada de posição política voltada para o presente.

“Essa é a memória que a gente quer que essa universidade preserve. Não a memória de torturadores, mas a dos melhores filhos do povo, dos lutadores que enfrentam esse regime autoritário”, disse Malu.

Homenageados

Um primeiro nome já havia sido homenageado com um diploma póstumo em julho de 2026: o estudante de economia Stuart Angel Jones, que foi torturado e assassinado pelo regime em 1971.

O documento foi entregue pelo reitor Roberto Medronho diretamente à irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel.

O levantamento dos outros nomes foi realizado pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ com base nos relatórios oficiais do país.

Confira a reportagem do Repórter Brasil sobre o assunto, na TV Brasil

>> Veja abaixo a lista dos 23 estudantes homenageados nesta quinta-feira:

Adriano Fonseca Fernandes Filho
Ana Maria Nacinovic
Antônio de Pádua Costa
Antônio Teodoro de Castro
Antônio Sérgio de Matos
Arildo Airton Valadão
Áurea Eliza Pereira Valadão
Ciro Flávio Salazar e Oliveira
Fernando Augusto da Fonseca
Flávio Carvalho Molina
Frederico Eduardo Mayr
Guilherme Gomes Lund
Hélio Luiz Navarro
Jana Moroni Barroso
José Roberto Spigner
Kleber Lemos da Silva
Luiz Alberto Andrade de Sá e Benevides
Maria Célia Corrêa
Maria Regina Lobo Leite Figueiredo
Mário de Souza Prata
Paulo Costa Ribeiro Bastos
Solange Lourenço Gomes
Sonia Maria Lopes de Moraes

Outros dois homenageados da noite já eram formados ou atuavam como docentes na época de suas mortes e receberam o reconhecimento de seus vínculos e legados institucionais. São eles:

Lincoln Bicalho Roque, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Raul Amaro Nin, pesquisador da Faculdade de Engenharia

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