Economia
Mudança no mapa reduz participação de Sorriso na produção agrícola

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O município de Sorriso, localizado no norte de Mato Grosso e reconhecido como “capital do agronegócio”, perdeu a liderança no ranking dos maiores produtores agrícolas do Brasil. A cidade foi superada por Sapezal, também no estado de Mato Grosso, e por São Desidério, na Bahia.
A mudança no ranking não se deve apenas ao desempenho agrícola de Sorriso e dos outros municípios, mas também a uma alteração no mapa do estado, que resultou na criação do município de Boa Esperança do Norte, em áreas que anteriormente pertenciam a Sorriso.
Como consequência, Sorriso registrou uma redução de 9,3% na área plantada, impactando negativamente as lavouras de soja, algodão e feijão.
Essas informações fazem parte da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento também revelou que o valor da produção agrícola em 2025 alcançou R$ 927,2 bilhões, um aumento de 18,4% em comparação a 2024.
Ainda no pódio
No ano de 2024, Sorriso havia liderado o ranking de valor de produção, com R$ 7,2 bilhões, seguido por São Desidério (R$ 6,6 bilhões) e Sapezal (R$ 5,9 bilhões).
No ano seguinte, embora a produção agrícola de Sorriso tenha crescido para R$ 8,16 bilhões, a cidade ficou atrás de Sapezal (R$ 8,59 bilhões) e São Desidério (R$ 8,22 bilhões).
O valor da produção é uma combinação do volume físico produzido e dos preços praticados na venda, sendo os valores expressos em moeda corrente do ano de cada pesquisa, ou seja, não estão corrigidos pela inflação.
O IBGE esclarece que Sapezal, o novo líder, viu seu valor de produção agrícola aumentar em 46,6%, impulsionado pelo algodão herbáceo. São Desidério também registrou um crescimento de 23,7% no valor da produção.
Novo mapa
A alteração no mapa que resultou na perda da liderança por Sorriso foi a criação do município de Boa Esperança do Norte, o mais recente do Brasil.
A nova cidade foi formada a partir de territórios que pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã, o que significa que parte da produção que antes era atribuída a Sorriso foi transferida para Boa Esperança do Norte.
Segundo o IBGE, o novo município possui uma população estimada em 5,9 mil habitantes, enquanto Sorriso conta com 124,7 mil.
Boa Esperança do Norte foi criada por meio de uma lei estadual em 2000, mas sua efetivação levou mais de 20 anos. No mesmo ano da promulgação da lei, uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso considerou a criação como institucional.
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, em outubro de 2023, autorizou a criação do município. A instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 2025, ano em que Sorriso perdeu o título informal de “capital do agro”.
Novo Campeão
A mudança no mapa manteve a liderança do estado de Mato Grosso em valor de produção agrícola, agora com Sapezal, que tem uma população estimada em 32,5 mil pessoas e está localizada a cerca de 500 quilômetros a noroeste da capital Cuiabá.
Dos R$ 8,59 bilhões da produção agrícola de Sapezal, 60% (R$ 5,13 bilhões) são provenientes do cultivo de algodão. Em 2025, foram produzidas 1,2 milhão de toneladas do produto.
Sapezal também apresentou crescimento no valor da produção de soja (51,4%) e milho (58,1%), com a soja gerando R$ 2,8 bilhões e o milho, R$ 656,9 milhões.
Mato Grosso
Como o principal estado em valor de produção agrícola, totalizando R$ 165,6 bilhões, Mato Grosso abriga cinco dos dez municípios brasileiros com maior valor de produção.
Confira as dez cidades com maior valor de produção agrícola e o principal produto de cada uma:
Sapezal (MT): R$ 8,59 bilhões – algodão
São Desidério (BA): R$ 8,22 bilhões – soja
Sorriso (MT): R$ 8,16 bilhões – soja
Campo Novo do Parecis (MT): R$ 7,87 bilhões – soja
Formosa do Rio Preto (BA): R$ 5,89 bilhões – soja
Diamantino (MT): R$ 5,82 bilhões – soja
Rio Verde (GO): R$ 5,69 bilhões – soja
Cristalina (GO): R$ 5,45 bilhões – soja
Nova Mutum (MT): R$ 5,39 bilhões – soja
Jataí (GO): R$ 4,84 bilhões – soja
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