Justiça
Procurador defende medidas de restrição financeira no combate ao crime organizado
O procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, afirmou nesta quarta-feira (2), durante um encontro com empresários promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), que é necessário reconhecer o crime como uma atividade empresarial que compete com outras.
Ao discutir os impactos da criminalidade na ordem econômica e financeira, o procurador destacou que o combate às organizações criminosas deve focar em seu patrimônio e fluxos financeiros, priorizando a investigação patrimonial e a recuperação de ativos.
“Prender, ainda que prender lideranças, não é suficiente”, disse Antônio José durante o debate. “Investigar, processar, condenar e prender permanece indispensável, mas precisa ser acompanhado de estratégias capazes de atingir a estrutura econômica das organizações criminosas”.
O procurador-geral de Justiça explicou que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) tem direcionado suas ações para a investigação patrimonial e a recuperação de ativos, com o intuito de asfixiar financeiramente esses grupos.
“A investigação patrimonial e a recuperação de ativos são, para nós, o norte do enfrentamento da criminalidade organizada”.
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Antônio José também ressaltou que a expansão das facções criminosas ultrapassou os limites da segurança pública.
“O Rio de Janeiro é um estado fatiado, dividido e dominado territorialmente por facções criminosas. É um problema de segurança pública, mas que transcende, que ultrapassa a segurança pública. É um problema de soberania”, acrescentou.
Segundo ele, o controle territorial possibilitou que as organizações criminosas diversificassem suass de receita e avançassem sobre atividades econômicas lícitas. Na sua avaliação, o tráfico de drogas tornou-se uma atividade econômica secundária no Rio, em função da diversificação dos negócios controlados pelas facções.
“Os impactos econômicos e financeiros são enormes. São tributos que o Estado e os municípios deixam de arrecadar. São empresários que poderiam estar empreendendo, trabalhando”.
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