O atendimento prestado pelo Hospital Regional da Asa Norte (Hran) a pessoas feridas por descargas elétricas voltou a chamar atenção após a liberação de três pacientes atingidos por um raio na Praça do Cruzeiro. O episódio ocorreu no domingo (25) e mobilizou equipes da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), que receberam 14 pessoas na unidade hospitalar.
Os pacientes chegaram ao hospital em estado de alerta, passando por avaliação clínica, exames e observação médica. Aqueles que apresentavam lesões mais significativas foram encaminhados para o setor especializado em queimaduras, considerado um dos principais da rede pública do Distrito Federal.
A Unidade de Queimados funciona como centro de referência regional e recebe casos de diferentes níveis de gravidade. O tratamento envolve acompanhamento contínuo e planejamento individualizado, desde o momento da internação até o retorno do paciente para casa.
Entre os pacientes acompanhados está o eletricista Sávio Bezerra, de 29 anos, que sofreu queimaduras graves ao encostar em um fio energizado durante o trabalho. Internado desde novembro, ele passou por sucessivas etapas de tratamento até alcançar estabilidade clínica.
Para Sávio, a atenção recebida foi determinante para a recuperação. “Eu não tive só tratamento físico, tive apoio o tempo todo. Isso dá mais segurança para quem está passando por um trauma assim”, afirmou.
Mesmo após deixar o hospital, o processo terapêutico continua. Ele seguirá realizando curativos periódicos e sessões de fisioterapia, que ajudam a preservar os movimentos e acelerar a cicatrização.
De acordo com a enfermeira Aline Leão Simões, os protocolos variam conforme o tipo de queimadura. “Há casos que exigem apenas acompanhamento ambulatorial e outros que precisam de internação e cirurgia. Cada situação pede uma estratégia diferente”, explicou.
Dados do serviço mostram que, em 2025, foram realizados mais de 6,9 mil atendimentos, incluindo consultas emergenciais, procedimentos cirúrgicos e acompanhamento ambulatorial.
Os registros indicam que as queimaduras domésticas lideram as ocorrências, geralmente provocadas por líquidos quentes, óleo e fogo direto. Já os acidentes envolvendo eletricidade, embora menos frequentes, estão entre os mais graves, podendo provocar lesões profundas e complicações neurológicas.
Especialistas alertam que, diante de uma queimadura, a área atingida deve ser imediatamente resfriada com água corrente por cerca de 20 minutos. A orientação é não aplicar substâncias caseiras e buscar atendimento médico o mais rápido possível.


