As estradas de terra do Jardim Botânico vêm passando por uma ampla reestruturação ao longo dos últimos meses. A iniciativa, conduzida pelo Governo do Distrito Federal, busca garantir condições mais seguras de circulação em regiões onde o fluxo de moradores, produtores rurais e transporte escolar cresce ano após ano.
Entre setembro e novembro, cerca de 25 quilômetros de vias receberam nivelamento e aplicação de camadas de materiais granulares. A ação utiliza brita e resíduos da construção civil doados pelo Serviço de Limpeza Urbana, que têm sido reaproveitados como solução de baixo custo e alto impacto para estabilizar o solo, prática alinhada às diretrizes ambientais e ao incentivo à economia circular no DF.
Os trabalhos contemplaram áreas do Núcleo Rural Tororó e diversas comunidades próximas, como Barreiros I e II, Itaipu, São Gabriel, João Cândido, Nova Betânia, Altiplano Leste e conjuntos de chácaras das Mansões Fazendária. O mutirão envolve equipes do Polo Sudoeste do GDF Presente, além de apoio da Secretaria de Agricultura e do Departamento de Estradas de Rodagem.
Segundo o administrador regional do Jardim Botânico, Aderivaldo Martins Cardoso, o serviço é planejado com antecedência para evitar que pontos críticos se deteriorem. “A ideia é acompanhar continuamente o estado das estradas e agir antes que o problema cresça. Isso reduz riscos, facilita o deslocamento e mantém a rotina da população funcionando, especialmente em áreas onde a chuva causa estragos com facilidade”, afirma.
Além de beneficiar quem vive na zona rural, a recuperação das vias também facilita o acesso de ônibus escolares, transporte público e caminhões que atuam no escoamento da produção agrícola local. A Administração Regional ressalta que a regularidade desse tipo de manutenção é decisiva para diminuir acidentes e ampliar a mobilidade.
O reaproveitamento de RCC, fornecido pelo SLU, integra uma política mais ampla de reciclagem no Distrito Federal. O material tem sido aplicado em estradas rurais, reforço de calçadas e reformulações da própria URE (Unidade de Recebimento de Entulhos), contribuindo para reduzir o envio de resíduos ao aterro e ampliando práticas sustentáveis na infraestrutura pública.
Com 29 mil hectares de extensão, o Jardim Botânico figura entre as maiores regiões administrativas do DF e uma das que mais teve avanço populacional na última década. Dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios mostram que a cidade saltou de pouco mais de 26 mil moradores, em 2018, para mais de 75 mil em 2024, um crescimento que pressiona a malha viária e reforça a necessidade de ações contínuas de manutenção.


