A política pública voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua no Distrito Federal passou por mudanças com a reformulação do programa Acolhe DF. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal, intensificou as ações de abordagem social e de encaminhamento para tratamento, especialmente entre pessoas que enfrentam dependência de álcool e outras drogas.
Desde julho de 2025, as equipes do programa realizaram cerca de 500 abordagens em diferentes regiões do DF. Como resultado desse trabalho, 190 pessoas aceitaram iniciar tratamento em comunidades terapêuticas parceiras e supervisionadas pelo Governo do Distrito Federal. Nessas unidades, os pacientes recebem acompanhamento especializado para enfrentar a dependência química e apoio no processo de reconstrução de vínculos familiares e sociais.
A nova fase do programa foi estabelecida por meio do Decreto nº 47.423, que redefiniu diretrizes e ampliou a articulação entre diferentes áreas do governo. Com a reestruturação, o Acolhe DF passou a fortalecer estratégias de escuta qualificada, acompanhamento contínuo e encaminhamento para serviços da rede pública.
De acordo com a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, a proposta é oferecer alternativas concretas para quem vive em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, o trabalho do programa busca ir além da assistência imediata e criar condições para que essas pessoas tenham acesso a tratamento e oportunidades de reinserção social.
A iniciativa também tem investido no diálogo com moradores de diferentes regiões administrativas para apresentar o funcionamento do programa e esclarecer dúvidas da população. Os primeiros encontros ocorreram no Plano Piloto, área que concentra a maior parte das pessoas em situação de rua no Distrito Federal. Levantamento mais recente do governo aponta que cerca de 3,5 mil pessoas vivem atualmente nessa condição na capital.
Mais de 100 moradores já participaram das reuniões organizadas pela secretaria. Durante esses encontros, as equipes montam estruturas de atendimento próximas às quadras onde ocorrem as conversas com a comunidade, oferecendo orientações e realizando abordagens sociais.
Para a advogada Ana Cláudia Ribeiro, síndica de um bloco na Asa Norte e participante de um dos encontros, a iniciativa ajuda a aproximar a população do trabalho realizado pelas equipes. Segundo ela, o diálogo com os moradores contribui para esclarecer como funciona o atendimento às pessoas em situação de rua e reforça a importância de tratar o tema de forma responsável e humanizada.
O subsecretário de Enfrentamento às Drogas da secretaria, Diego Moreno, explica que grande parte da população em situação de rua enfrenta algum nível de dependência química, o que exige um trabalho contínuo de acompanhamento. Segundo ele, as equipes realizam busca ativa e oferecem encaminhamento para tratamento, mas a legislação brasileira não permite a retirada involuntária dessas pessoas das ruas.
Por esse motivo, a atuação das equipes é baseada na escuta e no acolhimento. Mesmo quando o encaminhamento não é aceito no primeiro contato, os profissionais retornam aos locais para novas abordagens e mantêm o acompanhamento.
O programa também atua de forma integrada com outras áreas do Governo do Distrito Federal, como saúde, assistência social e segurança pública. A partir das necessidades identificadas durante as abordagens, as equipes podem encaminhar as pessoas para unidades de saúde, serviços socioassistenciais ou comunidades terapêuticas, buscando oferecer um atendimento mais completo diante das múltiplas vulnerabilidades que envolvem a realidade da população em situação de rua.


