No Distrito Federal, uma mudança silenciosa nos bastidores da saúde pública promete impactar o atendimento ao paciente. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF) começou a aplicar a metodologia Lean nos setores de Recursos Humanos do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com o objetivo de agilizar processos internos e reduzir burocracia.
A estratégia não se limita à gestão: ao tornar mais rápidos os trâmites administrativos, a expectativa é que os reflexos cheguem aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda neste ano, com equipes mais completas e processos de atendimento mais ágeis.
Um projeto-piloto iniciado em agosto de 2025 no RH do HRSM já trouxe resultados concretos. O número de processos para preencher vagas caiu 80%, e a previsão é reduzir em 35% o tempo entre a abertura do posto e a chegada do profissional à unidade, sem custos adicionais.
“A ideia é que as equipes tenham suporte adequado para focar no que realmente importa: cuidar dos pacientes”, explica Cleber Monteiro, diretor-presidente do IgesDF. “Quando os processos internos funcionam melhor, o serviço entregue à população também melhora.”
A experiência do Lean em áreas assistenciais serviu de base para a expansão ao RH. No Centro Cirúrgico do Hospital de Base, a metodologia, implantada em agosto de 2023, permitiu recordes de produção em 2025. Em três meses, foram realizadas mais de 1,3 mil cirurgias 40% a mais que antes, com redução de 28% nos cancelamentos e aumento na pontualidade das cirurgias iniciais.
Resultados semelhantes foram observados no HRSM, onde o Lean começou a ser usado em 2024. O total de cirurgias subiu 10%, procedimentos ortopédicos aumentaram 13% e cancelamentos caíram 13%. No Centro Obstétrico, o atendimento às gestantes cresceu 30%, com redução significativa do tempo de internação e agilização da medicação, graças à reorganização dos fluxos e rastreabilidade de medicamentos.
Para a coordenadora de Melhoria Contínua do IgesDF, Isabel Lima, os ganhos administrativos já refletem na experiência do usuário. “Quando os processos internos melhoram, pacientes e acompanhantes percebem que o serviço funciona de forma mais organizada e eficiente.”
Além do RH, o instituto aplica o Lean em outras frentes, como a reorganização da diálise peritoneal no Hospital de Base, prevista para ampliar a oferta e reduzir custos a partir de 2026.
Segundo Clayton Souza, superintendente da Qualidade e Melhoria de Processos, o maior avanço da metodologia é cultural. “O Lean deixou de ser uma ação isolada. Agora é uma forma de pensar, organizar e resolver problemas diariamente, dentro da instituição.”


