A rotina nas unidades de pronto atendimento (UPAs) do Distrito Federal começa a mudar com o avanço da teleconsulta. Desde que o modelo passou a funcionar, em maio de 2025, mais de 18,9 mil atendimentos já foram realizados de forma remota, até 25 de março deste ano, em um movimento que tem ajudado a desafogar as emergências e acelerar o cuidado com os pacientes.
A estratégia adotada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) reposiciona o fluxo dentro das unidades. Pacientes com quadros leves, identificados com pulseira verde, podem ser atendidos por médicos à distância, enquanto as equipes presenciais ficam concentradas em ocorrências mais graves, como casos de urgência clínica e neurológica.
O serviço já está presente em dez UPAs e segue em expansão. As unidades de Vicente Pires, Gama, Ceilândia II, Samambaia, Paranoá e Brazlândia realizam atendimentos voltados a adultos. No Recanto das Emas e em Sobradinho, o foco é o público infantojuvenil. Já Ceilândia I e São Sebastião operam com atendimento para todas as idades. A próxima etapa prevê a chegada da teleconsulta às UPAs do Núcleo Bandeirante e do Riacho Fundo.
Os indicadores reforçam a consolidação do modelo. Dados do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) mostram que cerca de 31,6% dos pacientes classificados como de baixo risco aderem à modalidade remota. Entre esses, mais de 87% têm a demanda resolvida sem necessidade de encaminhamento para consulta presencial.
Responsável pelo Núcleo de Inovação e Saúde Digital do IgesDF, Amandha Roberta explica que a iniciativa busca corrigir um comportamento comum nas unidades. Segundo ela, muitos pacientes procuram atendimento presencial mesmo em situações simples, o que acaba gerando filas e longos períodos de espera.
Ela ressalta que a falta de atendimento nesses casos pode trazer consequências. Pacientes com quadros leves que deixam a unidade sem assistência podem retornar em estado mais grave, exigindo mais recursos do sistema. Com a teleconsulta, esse público passa a ser atendido de forma mais rápida, enquanto os profissionais que estão na UPA ficam livres para atuar em situações críticas.
Na central de atendimento remoto, localizada no Setor de Indústrias de Abastecimento (SIA), os médicos acompanham todo o histórico do paciente registrado na triagem. A médica de família e comunidade Mônica Montenegro detalha que, durante o atendimento, é possível avaliar os sintomas, orientar o paciente e, quando necessário, solicitar exames laboratoriais ou indicar medicamentos.
Segundo ela, entre as queixas mais frequentes estão sintomas respiratórios leves, episódios de diarreia e dores musculares relacionadas a esforço físico.
O atendimento começa ainda na triagem, feita pela equipe de enfermagem dentro da UPA. Se o paciente for classificado como de baixo risco e aceitar participar do modelo, ele é encaminhado para uma sala equipada para videoconferência. Durante a consulta, um técnico de enfermagem acompanha o processo, auxiliando tanto no suporte técnico quanto na observação clínica.
Caso haja necessidade de medicação ou exames complementares, o próprio time da unidade dá continuidade ao atendimento, garantindo integração entre o formato remoto e o presencial.
As UPAs funcionam 24 horas e são destinadas a atendimentos de urgência e emergência de média complexidade, com oferta de exames, medicação e estabilização de pacientes antes de eventual encaminhamento hospitalar. Desde 2019, sete unidades foram construídas no DF, e outras seis estão em fase de implantação.
Já as unidades básicas de saúde (UBSs) seguem como a principal porta de entrada da rede pública, concentrando ações de prevenção, acompanhamento de doenças crônicas e atendimentos de menor complexidade. Por meio do portal InfoSaúde DF, a população pode identificar a unidade de referência e acessar serviços como vacinação, pré-natal e controle de hipertensão e diabetes.


