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Com crédito direto, DF amplia acesso ao material escolar e fortalece aprendizagem

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O drama silencioso de milhares de famílias no início do ano letivo, quando a lista de material escolar vira um desafio financeiro, tem encontrado um respiro no Distrito Federal. Para muita gente, esse alívio tem nome e impacto direto no dia a dia.

Foi assim com Ranny Rezende, 25 anos. Mãe solo, ela se viu diante de uma escolha difícil. Comprar o material da filha ou manter outras contas básicas em dia. “Eu não sabia se ia conseguir. Se comprasse tudo, ia faltar em casa”, lembra.

A virada veio com o Cartão Material Escolar, o CME, benefício que ela recebe há três anos. “Hoje ajuda demais. É muita coisa que a escola pede. Sempre que vejo outra mãe passando aperto, eu já falo do programa.”

Criado pelo Governo do Distrito Federal, o CME se consolidou como uma das principais políticas públicas de apoio à permanência escolar. A proposta é direta. Garantir crédito para que famílias em situação de vulnerabilidade possam adquirir os itens necessários para o estudo dos filhos com autonomia.

Em seis anos, o programa já injetou mais de 267 milhões de reais e praticamente triplicou o número de beneficiários. Em 2019, eram 64.652 estudantes atendidos. Em 2025, o número chegou a 167.042. No mesmo período, o investimento anual saltou de 19.987.040 reais para 51.524.160.

O benefício é destinado a estudantes de 4 a 17 anos, matriculados na rede pública e pertencentes a famílias do Bolsa Família. Os valores variam conforme a etapa. São 320 reais para educação infantil, ensino fundamental e especial, e 240 reais para o ensino médio.

Um dos diferenciais do programa está na liberdade de escolha. Em vez de kits prontos, cada família decide o que comprar. Muitas vezes, quem escolhe é o próprio estudante. Foi o que aconteceu com Ana Clara, filha de Ranny. “Ela ama ir escolher. Já está naquela fase dos desenhos, das cores. Esse ano ainda conseguiu a mochila de rodinhas que queria. Ficou toda feliz”, conta.

Esse detalhe, que parece simples, tem efeito direto na sala de aula. A professora Silvia Maruno, da Coordenação Regional de Ensino de Brazlândia, explica que o impacto vai além do material. “Quando a criança participa, ela se sente parte do processo. Isso aumenta a autoestima, melhora a organização e influencia até no rendimento.”

Na avaliação da secretária de Educação interina, Iêdes Braga, o programa reúne três frentes estratégicas em uma única política. “Estamos falando de equidade, aprendizagem e fortalecimento da economia local. É garantir que o aluno chegue no primeiro dia de aula com condições reais de aprender”, afirma.

O acesso ao cartão é automático. Após consulta no aplicativo GDF Social, o responsável pode retirar o benefício no Banco de Brasília, mediante apresentação de documento com foto e CPF. O uso é restrito à compra de materiais autorizados, o que assegura a destinação correta dos recursos.

O programa está presente em todas as regiões administrativas e tem maior concentração de beneficiários em áreas como Ceilândia, Planaltina, Samambaia, Paranoá e Recanto das Emas. Do lado do comércio, são 572 papelarias credenciadas, com destaque para Ceilândia, Samambaia e Taguatinga.

No fim das contas, o Cartão Material Escolar vai além de aliviar o orçamento. Reduz desigualdades na largada do ano letivo e coloca os alunos em condições mais próximas de igualdade. Para mães como Ranny, isso significa menos preocupação e mais chance de ver o filho avançar.

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